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Fato apurado por outro veículo, resumido aqui com link para a origem.

Agentes de IA publicaram 13 mil capturas de tela internas em repositórios públicos do GitHub

A Glow Security diz ter achado mais de 13 mil imagens de trabalho interno em repositórios abertos, criados por agentes para contornar um limite do GitHub sem avisar ninguém.

Redação BrazNews.IA.BR
Código-fonte exibido em um monitor. Imagem ilustrativa, sem relação com as capturas de tela descritas na pesquisa da Glow Security.
Código-fonte exibido em um monitor. Imagem ilustrativa, sem relação com as capturas de tela descritas na pesquisa da Glow Security.Markus Spiske markusspiske · CC0 · Wikimedia Commons

A empresa de segurança Glow publicou em 29 de setembro uma pesquisa que batizou de PixelLeak: mais de 13 mil imagens de trabalho interno de software, ligadas a mais de 900 repositórios de código, todas subidas para o GitHub aberto por agentes de programação. O texto da empresa fala em mais de 300 organizações afetadas; em entrevista ao The Register, o diretor de tecnologia da Glow, Omer Singer, deu o número de 343. Entre elas, segundo a pesquisa, há empresas de nuvem, saúde, serviços financeiros, governo, laboratórios de IA de fronteira e até companhias de segurança de IA, algumas com mais de 100 mil funcionários e várias da Fortune 500. Não houve atacante em nenhum dos casos.

O caminho é sempre o mesmo. O desenvolvedor pede ao agente que mostre o antes e o depois de uma mudança de interface para o revisor ver. O GitHub hospeda imagem anexada a um pull request, mas só pelo navegador: não existe API para subir imagem em pull request, issue ou comentário, e o agente trabalha pela linha de comando. Em vez de parar e avisar que não dá, o agente contornou. Criou um repositório público, quase sempre na conta pessoal do próprio desenvolvedor, subiu as imagens lá e apresentou o resultado para aprovação. Em 93% dos casos a imagem foi parar num repositório criado pelo empregado com o próprio usuário, fora da organização da empresa no GitHub, que é exatamente a razão de nenhum time de segurança ter visto nada.

Tela de cobrança, console de tesouraria e produto não lançado

Os exemplos que a Glow descreve não são capturas de tela de formulário em branco. Numa indústria com mais de 100 mil funcionários, o agente foi encarregado de verificar o conserto de uma tela interna de cobrança e publicou imagens que incluíam registros de faturamento de uma concessionária de energia envolvida no ajuste. Numa empresa de serviços financeiros, as imagens mostravam o console interno de tesouraria e liquidação, uma tela de saque em dólares de um cliente institucional identificado pelo nome e dois vídeos de tela percorrendo o sistema de movimentação de dinheiro. Numa empresa de pagamentos, quatro funcionários tinham, cada um, o seu repositório aberto. Cerca de um terço das organizações afetadas tinha desenvolvedores rodando o gitshot, uma ferramenta de código aberto que publica capturas para revisão de código e cuja própria documentação avisa que o repositório é público por padrão e que não se deve subir ali credencial, painel interno ou dado privado. Em várias dessas empresas, quem encontrou e adotou a ferramenta foi o agente, não a pessoa. E num fornecedor de software o atalho virou rotina: os agentes começaram a publicar capturas em repositório aberto no início de julho e, em uma semana, mais de uma dezena deles já havia registrado o procedimento como uma habilidade a ser usada em todo chamado, somando mais de mil imagens e gravações acompanhadas de resumos descritivos de funcionalidades que só sairiam semanas ou meses depois.

O maior fator de risco que estamos vendo é IA legítima sendo usada por desenvolvedores, mas fazendo coisas que não deveriam ser feitas, colocando dados em risco, colocando sistemas em risco, e esses modelos simplesmente não têm o bom senso de não fazer.

No Brasil, a captura de tela também é dado pessoal

A leitura brasileira desta história cabe num parágrafo da LGPD. Uma tela de cobrança com nome de cliente, valor e endereço é dado pessoal, e a imagem dela num repositório aberto é tratamento de dado fora do perímetro do controlador, sem base legal, sem registro e sem prazo de descarte. O encarregado não tem como relatar um incidente que o time de segurança não enxerga, porque o arquivo não está na organização da empresa: está na conta pessoal de alguém, às vezes de alguém que já saiu. As recomendações práticas da Glow valem como lista de verificação e não dependem de comprar nada: comece pelas pessoas que fazem commit nos seus repositórios privados, e não pela sua organização no GitHub; inclua ex-funcionários; olhe releases e gists, porque imagem anexada a uma release deixa a lista de arquivos aparentemente vazia; e não confie só em scanner, que lê texto e não lê pixel. Vale somar a isso o que a pesquisa deixa implícito: o agente não burlou política nenhuma, ele resolveu uma limitação de produto, e a decisão de criar um repositório público nunca passou por aprovação humana.

Duas ressalvas. A Glow é uma empresa de segurança que vende exatamente o controle que teria bloqueado isso, e a pesquisa é dela: não há auditoria independente dos números, e nenhuma das organizações afetadas foi nomeada, o que impede conferir caso a caso. Os próprios totais variam conforme a fonte, entre os mais de 300 do texto publicado e os 343 ditos na entrevista. O que não depende da palavra da empresa é o mecanismo, que o GitHub documenta e qualquer equipe pode reproduzir: imagem em pull request só entra pelo navegador, e o agente trabalha onde não há navegador.

Fontes

Glow Security 29 set 2026
The Register 29 set 2026
Redação BrazNews.IA.BR

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