A Anthropic anunciou em 27 de agosto a abertura de 10 mil vagas para cientistas de qualquer país usarem assinaturas do Claude de graça, ou com desconto, por um ano. As vagas fazem parte de um novo plano de equipe voltado a pesquisadores: os assentos padrão são gratuitos e os assentos premium, com limite de uso cinco vezes maior, custam US$ 15 por mês. A empresa diz pretender estender o programa bem além das 10 mil vagas iniciais nos próximos meses.
Para se cadastrar é preciso ser pesquisador principal, ou equivalente, em instituição acadêmica ou de pesquisa sem fins lucrativos, e passar por um formulário de verificação. Verificado, o pesquisador adiciona os integrantes do laboratório ao próprio plano. Quando o uso da equipe supera o que os planos padrão e premium oferecem, é possível pedir créditos ao programa AI for Science, de até US$ 50 mil por projeto, aberto a qualquer pesquisador.
A restrição que continua valendo para biologia e química
O anúncio traz uma limitação que raramente aparece nesse tipo de programa. Pesquisadores de biologia e química seguem restritos aos modelos da classe Opus: os modelos Claude Fable continuam bloqueando consultas profissionais de biologia e de desenvolvimento de fármacos por causa do risco de duplo uso. A Anthropic afirma trabalhar com o governo dos Estados Unidos para montar um programa de acesso a modelos da classe Mythos para profissionais de ciências da vida, com os primeiros participantes já inscritos.
É uma frase de duas leituras. A primeira é de segurança: a empresa escolheu manter salvaguardas mesmo ao abrir acesso, e disse qual é a restrição em vez de deixar o pesquisador descobrir no meio do trabalho. A segunda é de geografia: o programa de exceção para ciências da vida está sendo montado com o governo de um país específico, o que sugere que a porta larga para pesquisa biológica de fronteira será aberta primeiro para quem estiver dentro daquele arranjo institucional.
O que isso vale para um laboratório brasileiro
O anúncio diz cientistas do mundo todo, sem recorte de país, e o requisito é institucional, não territorial: pesquisador principal em universidade ou organização de pesquisa sem fins lucrativos. Pela descrição, um coordenador de laboratório em universidade federal ou em instituto público brasileiro se enquadra. A verificação e a interface, porém, são em inglês, e o texto não menciona suporte em português nem tratamento para instituições fora dos Estados Unidos e da Europa.
O valor prático é conhecido de quem administra pesquisa aqui: assinatura de ferramenta em dólar é justamente a rubrica que não cabe em projeto financiado por edital em real, e um ano de acesso pago pela empresa remove uma barreira concreta. O contraponto também é conhecido: acesso gratuito por um ano cria dependência que dura mais que um ano, e a conta do décimo terceiro mês é em dólar. O programa vale a inscrição, e vale planejar a saída junto com a entrada.



