A Anthropic assinou um contrato de US$ 35 bilhões de computação em nuvem com a Lambda, provedora que tem a NVIDIA entre os investidores. A informação é da Reuters, que cita fonte anônima, e chegou aqui pelo The Decoder. O data center está sendo construído no condado de Nueces, no Texas, com cerca de 350 megawatts de capacidade, e quem desenvolve a instalação é a Hut 8, antiga mineradora de criptomoedas. Segundo o Wall Street Journal, o arrendamento do imóvel está com a própria NVIDIA. Nenhuma das empresas envolvidas comentou o negócio com a Reuters.
Registro necessário antes de seguir: o BrazNews.IA.BR não conseguiu ler as reportagens originais da Reuters e do Wall Street Journal, que recusam acesso automatizado, e trabalha com o relato do The Decoder, que as cita e linka. O número de US$ 35 bilhões vem, na origem, de uma única fonte anônima, sem confirmação de nenhuma das partes. Ele é o tipo de cifra que o leitor deve segurar com pinça até alguém assinar embaixo.
O segundo contrato bilionário em pouco mais de uma semana
A Anthropic havia anunciado na semana anterior um contrato de US$ 45 bilhões com a Nscale, para um data center na Virgínia Ocidental, negócio que este site cobriu em 27 de agosto. Somados os dois, são US$ 80 bilhões de capacidade contratada em cerca de uma semana, num período em que a empresa prepara abertura de capital. A justificativa declarada é demanda pelo Claude e pelo Claude Code. A Hut 8 já havia anunciado em julho um arrendamento de 15 anos com um cliente não identificado. O detalhe que costura tudo é o mesmo padrão que o BrazNews.IA.BR vem registrando desde o aporte na MediaTek e o financiamento do data center de Ohio: a NVIDIA está nos dois lados da mesa, como investidora da provedora de nuvem e como titular do arrendamento do prédio onde a capacidade vai rodar. Dinheiro que sai da fornecedora de chips volta como demanda por chips, e o risco imobiliário fica com ela.
O que 350 megawatts significam vistos daqui
A unidade que interessa nessa notícia não é o dólar, é o megawatt. Uma instalação de 350 megawatts é o tipo de carga que se negocia com concessionária anos antes de ligar, e é por isso que o gargalo da expansão de IA deixou de ser o chip e passou a ser energia firme e conexão à rede, ponto que este site já tratou ao cobrir os aportes da NVIDIA em energia. Para o Brasil, a comparação é desconfortável e útil ao mesmo tempo. O país discute um supercomputador nacional enquanto um único contrato privado americano contrata capacidade de uma ordem de grandeza diferente, e o Brasil tem justamente o ativo que falta lá, energia limpa em abundância, mas não tem a cadeia de fornecimento nem a previsibilidade regulatória que fazem esses contratos serem assinados. Quem for negociar data center de IA aqui vai enfrentar as mesmas perguntas dessa notícia: quem é dono do imóvel, quem garante a energia e quem fica com o risco se a demanda contratada não aparecer.



