INFRAESTRUTURASÍNTESE

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Supercomputador no Rio Grande do Norte lidera pacote de R$ 2,5 bilhões do governo para IA

O governo reservou R$ 1,06 bilhão para a máquina de Macaíba, R$ 1,276 bilhão para a parceria com a Huawei no Rio e R$ 125 milhões para chips abertos em Campinas.

Redação BrazNews.IA.BR
Sala do supercomputador Jaguar, no Oak Ridge National Laboratory, nos Estados Unidos. Imagem ilustrativa: a máquina do Rio Grande do Norte ainda não foi comprada.
Sala do supercomputador Jaguar, no Oak Ridge National Laboratory, nos Estados Unidos. Imagem ilustrativa: a máquina do Rio Grande do Norte ainda não foi comprada.Oak Ridge National Laboratory · CC BY 2.0 · Wikimedia Commons

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou em 20 de agosto um pacote de R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura brasileira de inteligência artificial. A peça central é um supercomputador que será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na região metropolitana de Natal, dentro do novo Centro Brasileiro de Computação de Alto Desempenho e Inteligência Artificial. Do total, R$ 1,06 bilhão vai para a máquina: R$ 960 milhões na compra do equipamento e R$ 100 milhões nas etapas de preparação e operação, com recursos do CT-Infra previstos no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial.

A especificação divulgada fala em 7,2 mil petaflops em precisão FP16, mais de 50 mil núcleos de processamento e consumo elétrico estimado em quatro megawatts. Para efeito de comparação, o Santos Dumont, hoje a máquina mais potente do país, opera com 27 petaflops. Segundo estimativa apresentada pelo próprio governo, treinar um modelo de linguagem do porte do GPT-4 levaria cerca de 11 anos no Santos Dumont e cerca de um mês na nova instalação. É estimativa oficial, não medição: o equipamento ainda não foi comprado.

As três frentes do pacote

A segunda frente fica no Rio de Janeiro, em parceria entre a Huawei e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa, organização social ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. O centro deve começar a operar em 2027, com investimento estimado de R$ 1,276 bilhão em cinco anos e cooperação da chinesa iFlytek. A missão declarada inclui desenvolver um grande modelo de linguagem que trabalhe em português e também em espanhol, além de capacitar três mil profissionais brasileiros. A contrapartida cobrada às empresas é transferência de tecnologia, pesquisa e desenvolvimento.

A terceira frente é o desenvolvimento de chips livres de patentes com arquitetura RISC-V, conduzido pelo Instituto Eldorado, em Campinas. Serão R$ 125 milhões públicos, com a expectativa de captar outros R$ 125 milhões da iniciativa privada, em um horizonte de dez a 15 anos. O pacote ainda destina R$ 50 milhões a um Centro de Transparência Algorítmica comandado por pesquisadores da UFMG, encarregado de produzir análises de risco e falhas dos modelos disponíveis no mercado. O plano nacional em que tudo isso se encaixa prevê R$ 23 bilhões entre 2024 e 2028.

A escala que o número não mostra

R$ 2,5 bilhões é muito dinheiro público e pouco dinheiro de IA. A própria reportagem faz a comparação que expõe a diferença: o data center do TikTok previsto no Ceará está estimado em quase R$ 50 bilhões de investimento privado, quase 40 vezes o valor da parceria estatal com a Huawei no Rio. O ponto não é que o pacote seja pequeno demais para importar, é que ele não compra escala, compra capacidade de pesquisa, formação e poder de barganha. Quem esperar dali um concorrente nacional dos modelos de fronteira estará medindo com a régua errada.

Dois detalhes explicam a escolha do Rio Grande do Norte melhor que o discurso regional. A governadora Fátima Bezerra citou a energia limpa em abundância no estado, que tem forte participação eólica e solar, e é exatamente esse o insumo que trava projetos de IA no resto do mundo. O segundo detalhe é geopolítico: segundo o Olhar Digital, que cita apuração da Reuters, a Casa Branca prepara alerta a 35 países, o Brasil entre eles, sobre exclusão de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, e a ministra Luciana Santos admitiu à Folha de S.Paulo que a compra dos supercomputadores terá de lidar com incertezas e riscos. Comprar máquina de ponta virou decisão de política externa, e o Brasil está tentando comprar dos dois lados.

Fontes

Olhar Digital 20 ago 2026
Redação BrazNews.IA.BR

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