A Anthropic lançou em 28 de setembro o Claude Sonnet 5.5, segundo modelo da família 5.5, seis dias depois do Opus 5.5. O Haiku 5.5, voltado a aplicação de alto volume e sensível a custo, foi anunciado para as próximas semanas. A tabela de preços do Sonnet não mudou: US$ 2,00 por milhão de tokens de entrada, US$ 10,00 por milhão de tokens de saída, US$ 0,20 por milhão em leitura de cache e US$ 2,50 em escrita de cache. Para efeito de comparação, o Opus 5.5 cobra US$ 4,00 na entrada, US$ 20,00 na saída e US$ 5,00 na escrita de cache, com a mesma leitura de cache a US$ 0,20. O que a empresa afirma ter mudado é o consumo: segundo ela, o modelo precisa de bem menos tokens para fazer o mesmo trabalho, e por isso sai até 30% mais barato por tarefa que o Sonnet 5, além de gerar saída mais de 30% mais rápido.
Os números de desempenho divulgados são medição da fabricante, e é assim que precisam ser lidos até que alguém de fora repita o teste. No Terminal-Bench 4.0, que avalia tarefas profissionais de vários passos dentro de uma linha de comando, a Anthropic reporta 70,6% para o Sonnet 5.5 contra 10,3% do Sonnet 5 e 66,4% do Opus 5.5 no esforço mais alto. No CursorBench 4.0, montado sobre tarefas ambíguas de sessões reais do Cursor, são 55,5% contra 34,1% do antecessor. A própria empresa relativiza a leitura: diz que o placar captura só uma faceta do modelo e que, no teste interno e no de avaliadores externos, o Opus 5.5 continua claramente melhor em trabalho aberto e complexo que exige julgamento sustentado.
A economia prometida não está na tabela, está no consumo
Vale separar as duas coisas, porque elas têm status diferente. O preço por token é contrato: está publicado, é verificável e não mudou. A economia de até 30% por tarefa é uma média de testes da Anthropic, e depende inteiramente de o modelo gastar menos tokens na sua carga de trabalho, que não é a carga de trabalho dela. Para equipe brasileira que paga em dólar e orça em real, a diferença entre as duas afirmações é a diferença entre uma linha de planilha e uma estimativa: a única maneira de saber quanto se economiza é rodar a mesma fila de tarefas nos dois modelos e comparar a fatura, não o anúncio. O ajuste de nível de esforço é o que de fato move o ponteiro, e o padrão varia conforme a porta de entrada: no Claude Code e nos aplicativos ele vem em Médio, na plataforma de desenvolvedor vem em Alto.
O que muda para quem já tem código rodando
Há três mudanças operacionais que valem mais que o placar. A primeira é de segurança cibernética: como a capacidade do Sonnet 5.5 nessa área cresceu, ele estreia com salvaguardas parecidas com as dos modelos mais capazes, e pedido de risco mais alto cai de forma visível de volta para o Sonnet 5. Desenvolvimento de software de rotina e a maior parte do trabalho em ciências da vida seguem sem efeito, segundo a empresa. A segunda é a conexão direta com a história de destilação que esta semana voltou a circular: o Sonnet 5.5 é o primeiro Sonnet a nascer com classificadores que impedem a extração de raciocínio, e amplia o chamado preserved thinking, que amarra o raciocínio à conta que o gerou. A terceira é a que quebra integração: quem roda Sonnet com o pensamento desligado precisa migrar para a nova configuração between_tools antes de trocar de modelo, e quem troca de conta no meio de uma sessão do Claude Code vai notar a diferença.
O modelo chegou já disponível na Amazon Web Services, no Google Cloud e na Microsoft Azure, com a opção de retenção zero de dados, o que para empresa brasileira costuma ser o item que destrava o jurídico antes do técnico. Uma ressalva de leitura: parte das avaliações citadas pela Anthropic no anúncio foi rodada por um terceiro cujos dados esta redação não publica por restrição de licença, e por isso esses números ficaram de fora desta matéria. Os que estão aqui são os que a própria Anthropic mediu e publicou, e continuam sendo alegação do fabricante até haver medição independente.



