A June levantou US$ 20 milhões em rodada pre-seed liderada pela Time Ventures, de Marc Benioff, com participação de Michael Dell, Aaron Levie e George Kurtz. A proposta é escanear os sistemas que a empresa já tem, entender os processos de negócio, identificar gargalos e montar automaticamente soluções com agentes que conversem com plataformas legadas como Salesforce e ServiceNow.
O paradoxo dos serviços profissionais
A IA, paradoxalmente, aumenta a demanda por serviços profissionais. A resposta da indústria para implantação de IA é: vamos contratar mais e mais gente.
A frase é de Efrat Rapoport, cofundadora da June, e descreve um efeito que quem tentou colocar agente em produção reconhece. A tecnologia que deveria reduzir trabalho manual criou uma categoria inteira de trabalho manual novo: engenheiros de campo dedicados a fazer o sistema funcionar dentro de cada cliente.
Rapoport aponta a raiz: antes que a IA gere valor, alguém precisa lidar com os sistemas legados e com os dados fragmentados entre plataformas. Paul Akinmade, da CMG, resume a impaciência do comprador: se o produto exige engenheiro de campo, ele não quer o produto, quer uma ferramenta fácil de usar.
A tese da June é usar IA para resolver o problema que a IA criou. É elegante e circular o bastante para merecer ceticismo, mas o diagnóstico está certo, e é o mesmo que trava projeto de automação em banco e varejo brasileiros: o obstáculo raramente é a capacidade do modelo.



