A OpenAI anunciou em 27 de agosto que vai começar a exibir anúncios nos planos gratuito e Go do ChatGPT na Índia. O movimento vem depois de a empresa ter alterado seus termos de serviço no começo do mês para indicar que mostraria publicidade a quem usa o assistente. Segundo o TechCrunch, a empresa disse que começa exibindo anúncios de 50 marcas, em parceria com as agências WPP e Omnicom, e que lança no mês que vem um gerenciador de anúncios com orçamento mínimo diário de 725 rúpias, cerca de US$ 7,60, para campanhas.
O tamanho do mercado explica a escolha. A OpenAI afirmou em fevereiro ter mais de 100 milhões de usuários ativos semanais de ChatGPT na Índia, a maior parte deles nos planos gratuito ou no Go, mais barato. A empresa cultivou essa base com esforço: lançou em agosto de 2025 um plano ChatGPT Go abaixo de US$ 5 no país, chegou a oferecer o plano de graça por um ano em promoção, anunciou pesadamente em torneios de críquete e contratou o chefe da Uber na Índia para liderar a expansão local.
Terceira praça em sete meses
A publicidade no ChatGPT não nasceu na Índia. O TechCrunch registra que a OpenAI passou a exibir anúncios para usuários dos Estados Unidos em fevereiro e expandiu o programa para a Europa no começo deste mês. A Índia é a terceira praça, e a primeira em que a companhia combina anúncio com um plano pago propositalmente barato. É a diferença que interessa: nos Estados Unidos e na Europa a publicidade aparece sobretudo no nível gratuito, aqui ela alcança também quem paga, desde que pague pouco.
O contexto financeiro está no mesmo texto. Diante de uma possível abertura de capital, esperada para este ano ou o próximo, a OpenAI vem tentando ampliar e consolidar fontes de receita. O TechCrunch cita reportagem do Wall Street Journal segundo a qual a empresa registrou receita de US$ 6,7 bilhões no segundo trimestre encerrado em junho de 2026, ante US$ 5,7 bilhões no trimestre anterior, e uma reportagem de novembro do The Information segundo a qual a companhia mirava 220 milhões de assinantes pagantes até 2030, ante 35 milhões nos planos Plus e Pro à época. Nenhum desses dois números foi lido por nós na publicação de origem: chegam por intermediação do TechCrunch, e ambas as fontes primárias são de assinatura.
Por que isso interessa a quem usa ChatGPT no Brasil
O Brasil e a Índia ocupam posições parecidas no mapa comercial dessas empresas: base enorme de usuários, sensibilidade alta a preço, receita por usuário baixa em dólar. O plano Go existe aqui pela mesma razão que existe lá. Se a lógica for a mesma, a pergunta não é se o anúncio chega ao ChatGPT em português, é quando, e se ele para no plano gratuito ou também alcança o plano barato. O caso indiano mostra a segunda resposta sendo dada em outro lugar primeiro.
Há uma diferença regulatória que vale registrar. Publicidade dentro de uma conversa com assistente levanta questões de identificação de conteúdo pago e de uso de dados da conversa para segmentar, e no Brasil isso esbarra na LGPD e no Código de Defesa do Consumidor, que exige que o consumidor identifique facilmente a publicidade como tal. A OpenAI não divulgou como o anúncio é sinalizado dentro da resposta nem que sinais da conversa alimentam a segmentação, e essa é a informação que falta para avaliar o modelo, aqui e lá.



