A Anthropic publicou a explicação técnica da marca d’água que passou a aplicar no texto gerado pelo Claude. O mecanismo se apoia no que a empresa chama de escolhas de baixo risco: nos momentos em que várias palavras serviriam igualmente bem, o sistema deixa de sortear ao acaso e passa a decidir a partir de uma chave criptográfica.
As palavras que o Claude escolhe continuam aleatórias, mas agora é possível conferir a sequência e ver se ela é consistente com as escolhas que o Claude faria.
O leitor não percebe diferença. Quem tem a chave consegue verificar. Saídas de imagem e arquivo não usam esse método: recebem credenciais de conteúdo no padrão C2PA.
A parte honesta: onde não funciona
A própria empresa enumera as limitações, e elas são substanciais. A marca é ineficaz em trechos factuais, onde a escolha de palavras é restrita. Em código que exige saída exata, quase não há marcação. Edição leve remove parte do sinal; reescrita completa elimina. Amostras curtas oferecem poucas escolhas para marcar. E o método não distingue “o Claude escreveu isto” de “o Claude editou pesadamente isto”.
Vale ler essa lista como especificação, não como ressalva de rodapé: ela define exatamente as situações em que a verificação não deve ser usada como prova, justamente as mais tentadoras, como checar se um trecho curto de texto factual saiu de um modelo.
Por que agora
O calendário explica a decisão. A Anthropic afirma ter implementado a marcação para cumprir o AI Act europeu, que exige que provedores usem métodos de marcação de texto gerado por IA, e assinou em julho o Código de Práticas da UE sobre transparência de conteúdo gerado por IA. Modelos lançados antes de 2 de agosto de 2026 estão sendo atualizados ao longo dos meses seguintes.



